Quem você é realmente?

29 abr

Uma aluna me perguntou: se nascemos para ser felizes, por que não somos?

Meu entendimento-resposta é hoje: Porque os modelos que nos são colocados de felicidade, desde que nascemos, são meros modelos dos nossos pais, parentes, sociedade, cultura, religião, etc. Pessoas distantes desta felicidade, condicionadas, padronizadas pela densidade da terra. Nascemos e somos sugados pelo mundo das ilusões.

Este mundo, irreal, não corresponde, de forma alguma, às nossas verdades e valores internos. A sociedade e grupo familiar não consideram o indivíduo em sua essência e singularidade. Os modelos sociais são selvagens e massacrantes, e são os chamados condicionamentos.

Condicionamento é algo forçado de fora sobre você contra a sua vontade, contra a sua consciência. O condicionamento tem o objetivo de destruí-lo, manipulá-lo, torná-lo previsível, moldável e criar uma sociedade controlável.

A sociedade tem muito medo da sua realidade. A Igreja tem medo, o Estado tem medo, todos têm medo de sua pessoa essencial, de seu Ser essencial, pois o Ser essencial é rebelde, é inteligentel, é livre. O livre sábio não age segundo regrinhas aprisionantes, manipuladoras e de co-dependência.

O Ser essencial não pode ser facilmente reduzido à escravidão, e também não pode ser explorado. Ninguém pode usar o Ser essencial como um meio, pois Ele é um fim em si mesmo.

Daí, toda a sociedade tentar, de TODAS as maneiras possíveis, desconectá-lo de seu âmago essencial. Isso cria uma personalidade falsa e plástica a seu redor e o força a se identificar com ela. Durante muito tempo sofremos e perdemos MUITA energia quando tentamos ser hipócritas conosco mesmo.

A sensação é de vazio, fracasso, impotência. Enlouquecemos porque a nossa bússola simplesmente não consegue encontrar o sentido da “felicidade”. Chama-se a esta grande “tabela” de condicionamentos de “educação”, mas isso não é educação, é “deseducação”. Isso é destrutivo e violento.

A sociedade, a família INCONSCIENTEMENTE é muito violenta com o indivíduo. Ela não acredita no indivíduo, é contra o indivíduo. Para seus próprios propósitos, ela tenta, de todas as maneiras, destruir você. A pergunta oculta, o pânico, o desamor é: Se você se libertar como vamos fazer contato?

A sociedade precisa de engenheiros, médicos, filhos vitoriosos, brilhantes, importantes, espertos, esbeltos, conquistadores,… Ela não está preparada para lidar com seres humanos serenos, pacíficos, simplistas, honestos sem relatividade, saudáveis emocionalmente. Quando surge alguém assim tratam de distanciá-lo, NÃO ENTENDÊ-LO.

Até o momento, fracassamos em criar uma sociedade que precise de seres humanos livres, simples seres humanos: NORMAIS.

A sociedade está interessada nos ANORMAIS. Que você seja mais habilidoso, mais produtivo, mais competitivo, mais consumista, mais super ocupado e menos criativo ou questionador como Sócrates – assassinado pelos políticos de sua época – o era. Ela deseja que você funcione como uma máquina da SOBREVIVÊNCIA, eficientemente, mas não deseja que você se torne desperto, livre.

É um milagre, de vez em quando, algumas pessoas serem capazes de escapar desta enorme prisão. A prisão é muito grande, é muito difícil escapar dela. E mesmo ao escapar de uma prisão, você entrará em outra, pois toda a Terra se tornou uma prisão. De hindu você pode se tornar cristão, ou de cristão pode se tornar hindu, mas está simplesmente trocando de prisão. De indiano você pode se tornar alemão, ou de italiano se tornar chinês, mas está simplesmente trocando de prisões… prisões políticas, religiosas, sociais.

Talvez, por alguns dias, a nova prisão pareça com a liberdade, mas somente devido a ser uma novidade. Fora isso, ela não é liberdade. Uma sociedade livre é ainda uma idéia que precisa ser materializada.

Tudo tem modelo, inclusive e principalmente quanto aos relacionamentos. Todos necessitam casar, ter casa, ter filhos, ter empregos, e na época certa, e da forma certa, e com os modelos certos para ser competitivo, para ser invejado, para ser elogiado, para ser apreciado, etc.

Tudo foi despejado em seu biocomputador. E a sociedade pune aqueles que são relutantes, resistentes a esses condicionamentos, e com medalhas de ouro, prêmios, recompensa aqueles que estão muito ávidos a serem escravos, a servirem aos interesses do sistema.

Toda a sociedade, milhões de pessoas à sua volta estão condicionando-o, conscientemente ou não. Elas foram condicionadas. Elas podem não estar cientes de que são destrutivas e violentas e que estão se auto destruindo. Elas podem pensar que estão sendo de ajuda a você devido à compaixão, pois amam a humanidade. Elas foram condicionadas tão profundamente que não estão cientes do que fazem às suas crianças e vidas.

Somos mesmo seres sociais? Minha opinião é: enquanto não estamos prontos para estarmos sós, não estamos prontos para estar em grupo. Só estando  saberemosquem somos realmente. Ter medo de estar  é o mesmo que afirmar: não sou livre, dependo do outro para ser feliz. DANOU-SE!

Como sair dos condicionamentos?

1) Ir lá dentro de você e descobrir quem é você realmente. Qual a sua natureza, suas qualidades, seus dons, seus desafios. Para esta viagem interna é necessário se dar espaço DIÁRIO de silêncio, MEDITAÇÃO, introspecção. Espaços de autoconhecimento e esclarecimento. Ler, estudar, aprender, meditar, pois ignorar e ignorar-se é pura escravidão.

2) Estar 100% alerta e desperto. Meditar sobre suas atitudes, sonhos e desejos e perceber quanto deles pertencem aos modelos de nossos pais, parentes e sociedade, e quanto deles realmente ECOAM em seu coração, no seu canto de paz.

3) Uma vez detectado, sair dos condicionamentos e entrar na sintonia do Ser essencial e descobrir o que é Ser feliz para Ele. Neste espaço você irá fazer tudo, relacionar-se, sobreviver com o seu serviço (significa trabalhar com prazer e alegria), viajar, etc. porque suas escolhas serão conscientes e alinhadas com quem você é realmente.

OSHO – adaptado por Conceição Trucom

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Normal?

17 abr

Era uma vez juvenal, que só queria ser normal… Escolheu nascer num dia calmo, num hospital comum. Tinha o peso ideal e passou nos testes sem problemas.

Cresceu numa cidade comum, quis ter uma infancia normal. Teve as doenças que as crianças têm, jogou videogames que todos jogam, via os mesmos programas de televisão que todos viam.

Juvenal foi para a escola, lá, só queria ser normal. Tirava notas medianas, jogava futebol, falava dos mesmos assuntos que todos. No vestibular, Juvenal escolheu algo normal, estudou mais como seus colegas e passou em direito – uma profissao que considerava normal.

Na faculdade preferiu ser um aluno normal, saia para festas normais da faculdade, bebia em excesso como seus amigos, sofria nas provas como todos. Saia com garotas normais, fazia sexo normalmente, como sempre se faz.

Juvenal se formou, junto com seus colegas numa cerimonia tradicional. Doutor Juvenal agora se chamava, um sujeito normal. Tinha contas a pagar, trabalhos a cumprir e problemas a resolver. Começou a trabalhar num escritório, como um empregado normal.

Juvenal se casou, com uma mulher normal, teve filhos normais, que colocou em tradicionais colégios. Viveu um casamento normal, com toda a tradiçao e cerimonia de sua religião. Tambem teve um divorcio normal, com brigas pelos filhos e pelos bens.

Seus filhos se formaram normalmente e seguiram suas carreiras normais, Juvenal se aposentou normalmente, e passou a receber sua aposentadoria e das economias que acumulara em sua vida. Tinha as doenças normais de sua idade e tomava os remedios que tinha de tomar para sua dores – algo normal para ele.

Escolheu morrer num dia comum, de uma causa normal em um lugar calmo. Teve um enterro tradicional, com amigos e familia lembrando de seus traços de personalidade, ironicamente dos menos normais.

E assim acabou a vida de Juvenal, que só queria ser normal… …conseguiu.

A conspiração da teoria

13 abr

Fala-se muito em Teoria da Conspiração. Quando, alguém ou um grupo de pessoas procuram questionar aquilo que a grande maioria crê ser o verdadeiro desenrolar dos fatos, são eles chamados de “conspiradores”. E isso praticamente virou depreciativo, principalmente quando se trata de algo forte e que abala paradigmas. E então muitas vezes toda a pesquisa de um grupo é ignorada por uma grande parcela da população por suas teorias serem taxadas de “Teoria da Conspiração”. Acho que é uma tendência das pessoas que preferem simplesmente não pensar, não refletir e acreditar naquilo que vêem em uma caixa chamada televisão. É a mídia que vai dar a noticia em primeira mão, e é geralmente essa visão dos fatos que ficará na mente das pessoas, e quando questionada, não será levado a sério, pois, o que a maioria crê é muitas vezes admitido como verdade absoluta por cada cidadão, sendo que o grupo menor que questiona isso não passa de uns loucos. Portanto, creio que quem propaga a existência de “Teorias da conspirações” de forma depreciativa são pessoas conservadoras que não permitem uma nova análise dos fatos. Pelo fato de não serem apoiadas por instituições, tais teorias são ridicularizadas. Mas não é óbvio que o interesse das instituições é contrário a essas teorias? Que se elas vingarem, muitas estruturas e planos estariam abalados? O que é que exista por trás disso tudo, com certeza não quer que as pessoas reflitam sobre os fatos e tenham opinião própria. Por isso, é muito mais fácil para esses órgãos criar e espalhar um sentimento de ridicularização em torno das teorias de conspiração. E bem, creio que eles conseguiram.

Um exemplo de filme que se tornou “vítima” desse rótulo de teoria da conspiração é o Zeitgeist. Recomendamos a todos assistir, inclusive as continuações: Addendum e Moving Foward. Mas é claro, sempre com uma postura crítica, porém aberta a novas reflexões. Sem dúvidas é um filme que tem muito a acrescentar e abala as estruturas dessa sociedade, questionando diversos paradigmas desse mundo… Bem a cara do Além do Óbvio.

Zeitgeist

Em um típico dia de trabalho…

4 abr

Tem certeza?

Como atirar seu cachorro no lixo

3 abr

(Para entender melhor, o texto, veja a seguinte noticia:        Cão sobrevive após ser jogado na lixeira do 22º andar)

Primeiro: Viva em um ambiente social que trata toda a natureza – até mesmo pessoas – como bens de consumo, objetos e “coisas” sem valor interno, sendo meros simbolismos de status e outros atributos superficiais.

Segundo: Aceite o sistema como ele é sem questioná-lo, torne-se um materialista e acredite que esses assuntos relativos a amor, consciência, natureza e espiritualidade são perda de tempo. Afinal nesse mundo só vale aquilo que faz sua imagem melhor ou te dá dinheiro, o resto é descartável.

Terceiro: Influenciado por uma criança, um anuncio ou uma inspiração divina, compre um cachorro, na esperança vã de que o animal por si só vai te tornar mais humano. Faça seu filho acreditar que o cachorro é somente um brinquedo, um objeto para satisfazê-los. Enjoe do animal na terceira semana que tiver que alimentar ele e limpar o que ele faz todos os dias. Passe a ignorar sua necessidade de carinho e atenção.

Quarto: Depois de meses estressado com seu trabalho, exploda de ódio com todas as coisas que te cercam. Ao ficar com pouco dinheiro, comece a cortar as coisas “desnecessárias” da sua vida como livros, tempo com a família e amigos, comer frutas e ir a lugares que te fazem bem. Fique só com o “essencial”, ou seja, televisão, fast-food, e obviamente seu trabalho de sempre.

Quinto: “Descubra” que na sua ocupada e apertada vida, você não tem espaço para um cachorro que vive querendo atenção, sujando a sua casa e gastando seu dinheiro. Some isso a todo sistema de ética e valores corrompidos que você absorveu da sociedade que faz parte e pense em uma maneira pratica e “eficiente” de resolver o “problema”.

Por fim, jogue o animal pela caçamba de lixo embalado em um saco, para que mesmo que ele sobreviva à queda, que morra asfixiado sem perturbar mais. Afinal, as coisas que jogamos no lixo desaparecem da existência, não é? É só jogar no lixo para se livrar da responsabilidade de algo. Não importa que seja um ser vivo que sinta dor e medo, afinal, você sempre o viu como apenas um objeto mesmo.

Volte a ser feliz com mais uma edição do jornal e em seguida a novela,

Boa noite!

Reprodutibilidade X Autenticidade

3 abr

Durante muito tempo, a arte foi para poucos. Uma obra era única e possuía um caráter praticamente sagrado. O artista era um ser superior, um gênio à parte da sociedade, que tomado por uma inspiração divina executava sua obra que seria extremamente valorizada, e nunca haveria igual. Estamos falando de tempos antigos, Renascimento, certo? Também. Mas quem conhece o meio da arte, sabe que a coisa não mudou muito, mesmo tendo toda potência e meios para mudar. E, mesmo hoje em dia, a “arte” continua sendo de acesso para poucos, muitas obras são feitas com a intenção de serem únicas, os artistas que alcançam status são considerados superiores e suas obras custam fortunas. Indo em outra direção, vemos artistas fazendo obras transformadoras e as reproduzindo, para todos terem acesso a obra, indo bem além das quatro paredes de um museu. Qual é a função da arte se não atingir a todos? Pra que uma arte que só atinge a um grupo seleto de pessoas? A arte tem que ser transformadora, e para ser transformadora tem que ser reproduzida. O cinema é incrível, pois rompe com toda a estrutura de arte que estava em vigor, o cinema circula por todos os lugares. E a arte deve circular. Sejam quadros, vídeos, filmes, fotografias, teatro, tudo deve ser passível de ser reproduzido.

Todos devem ter direito a fazer arte, a sua arte, independentemente dessas pessoas que ficam querendo ditar o que é arte e o que não é. Pois para elas, a arte é aquilo que está próximo do seu modo de vida acadêmico e ocidental. Nesse mundo da arte, o que mais vemos são pessoas se achando superiores, é um mundo de vaidades e de desrespeito com o próximo. Mas pouco importa isso no contexto geral, toda sociedade produz arte e continuará produzindo independente do que essas pessoas digam (se é arte ou não é). É preciso respeitar o modo de cada um de fazer e ver a arte. A idéia de um “gênio criativo” é extremamente eurocêntrica; qualquer pessoa pode fazer arte! Há muitos grupos que querem ter expressão, querem ser ouvidos através da arte, porém, o que muitas vezes a sociedade faz é querer enfiar goela abaixo deles uma arte de elite, que para eles (sociedade) é o modo de arte certo, é como esse grupo deve ser… Sendo que o grupo quer é meios para produzir sua própria arte, para reproduzir e para divulgar, mas não tem oportunidade por estarem à margem.

Diante da importância de se divulgar uma idéia, diante da grandeza que é todos terem acesso a arte, do que importa a autenticidade? Qual a finalidade de uma obra ser única e intocada? E não estamos falando só das artes plásticas, estamos falando também de música, cinema, literatura! A internet tem uma potência incrível de divulgação e reprodução, e atualmente vemos pipocando um monte de bandas, filmes, livros independentes e livres para quem quiser baixar, isso é ótimo! Inclusive, nesse blog pode copiar o que quiser, não há direitos autorais por aqui, a nossa intenção não é ser reconhecido individualmente e sim explanar idéias. Não importa quem está atrás dessas idéias, o que importam são as idéias. Explane idéias também, faça arte! Viva a arte livre e independente.

Crescer

30 mar

 

Porque não viver nossos sonhos?

“Quando a gente cresce entende que a vida não é um mar de rosas”, “Quando a gente cresce entende que tem que trabalhar e se sustentar”, “quando a gente cresce…”
Todo mundo certamente já ouviu essas frases ou seus correlatos, parecem naturais, intuitivas, escritas por quem já “cresceu” e sabe do que está falando, certo? Óbvio, não? Será?

Quando somos crianças temos sonhos, vemos o mundo de uma forma inocente, ingênua e até mesmo bastante limitada. Achamos que as coisas são simples, que se resolvem facilmente. Divertimos-nos com pouco, apenas porque é divertido se divertir. Somos esponjas para novos conhecimentos e pra descobrir mais coisas sobre esse mundo em que fomos lançados. Absorvemos conhecimento e compreendemos novas coisas numa velocidade sem precedentes. Exploramos o mundo físico e o emocional, testamos e descobrimos os limites e capacidades normais de nossos próprios corpos e começamos a lidar com nossa mente de maneira cada vez mais complexa.

Quando nos deparamos com algo do mundo “adulto” que não conhecemos, por vezes ouvimos a clássica frase: “quando você crescer vai entender”. Em geral ouvimos isso quando se tratam de questões financeiras, amorosas, conjugais ou políticas, pois, segundo nossos pais, aquilo tudo é muito confuso e distante de uma criança…

Depois dessa fase vem a adolescência e em seguida a “maturidade”, a tão falada “juventude”, que segundo muitos é o período mais intenso e critico de nossa história pessoal. Por quê? Já não somos mais crianças e ainda não somos “adultos”. Já compreendemos (ao menos empiricamente) nosso mundo físico imediato e estamos passando por toda a ebulição emocional e social de ser jovem. Começamos a descobrir e a explorar aquelas questões que iríamos “entender” quando crescêssemos. É nessa fase que nos revoltamos com todas essas coisas, é aí que nos chocamos com a “dura realidade”, viramos rebeldes, criticamos o mundo e a nós mesmos.

De fato é nesse momento psicológico, nesse “pulo do gato” que mesmo sem saber nós definimos tudo o que seremos dali pra frente. Especialmente porque cada vez menos nossos pais terão influencia no nosso destino. É nessa época que nos escravizamos, nos alienamos, que nos frustramos, que continuamos rebeldes ou nos resignamos com cada assunto da vida. Nessa fase enfrentamos aquelas questões todas.

Enfrentamos a sociedade, mais do que isso, colidimos com ela. Temos que nos sustentar, ganhar dinheiro, gastar. Temos que ter uma opinião, um comportamento sério, uma religião, um emprego, carreira, temos que ter… A sociedade pede e força para que nos envolvamos com ela, não importa como, revoltado ou resignado, ela vai tentar te envolver.

Alguns se revoltam, partem para os ‘points’ da juventude, festas, farra, drogas quem sabe, ou ao menos álcool, cigarro… Religião que acolhe quem tem dúvida, banco que acolhe quem tem dívida, ciência pra quem duvida e projetos sociais para quem divide (esse último seria a mais nobre forma de se rebelar).

Há os que não se revoltam e se resignam, os que desistem de se revoltar ou ainda os que se vendem para algo que antes os fazia protestar. Esses se envolvem por vontade própria na sociedade, buscando com isso poder, conforto, dinheiro ou até mesmo uma aceitação no mundo.

Não importa como, esses assuntos que nossos pais diziam que entenderíamos quando “crescêssemos” tentam nos envolver e criar nosso mundo, tentam apagar quase que por inteiro a lembrança dos sonhos e da forma simples da criança de ver o mundo. A mente aberta e a diversão gostosa e suave, a sensibilidade e a atenção a natureza e as coisas simples da vida ficam cada vez mais num baú empoeirado, no sótão do nosso inconsciente, como sonhos de criança e uma visão “infantil” do mundo.

As diversões agora têm de provocar fortes sensações para nos mover, musica intensa, luzes rodopiantes, sabores extremos. Qualquer coisa que force nossos sentidos (um sabor quimicamente e monstruosamente gorduroso, um filme incrivelmente aterrorizante ou cheio de ação) nos atrai e nos faz achar que “isso é diversão”.

As batalhas não são mais para “vencer o sistema” ou para “mostrar o certo”; passam a ser batalhas para sobreviver dentro da sociedade, batalhas por dinheiro, por status, por ser o melhor do sistema…

Aquela facilidade para aprender, aquela forma inocente de ver o mundo se corrompe, se perde. Dizem-nos: “Não há nada mais pra ver, já conhecemos o mundo e é este, as pessoas são assim, aceite, o mundo é assim, aceite! O que você sonha e pensa não é real, só este mundo que vemos (e destruímos) é real.” Então, acreditamos nisso, deixamos nosso verdadeiro crescimento de lado porque achamos que “já crescemos”, que “já sabemos”, que “já vimos aquilo antes”… Fim da história… A partir desse ponto o destino de quem está assim já foi traçado, vai viver, crescer e morrer como as pessoas do mundo que escolheu acreditar e seguir, perde-se e deixa seu crescimento preso nas teias que o envolveram em sua juventude… se nada mais for feito em seu interior, o destino se encarregará de seguir seu rumo…

Poucos, no entanto, vão alem do que diz o mundo, vão além do óbvio que diz que o mundo é assim e pronto. Estes, são vistos como ‘visionários’ ou ‘loucos’, vão além do que a sociedade ‘disse’ que era o certo e começam a explorar mais o mundo, interior e exterior. Começam a olhar com mais atenção, a notar as falhas e mascaras daquele mundo doente, começam então a recuperar sua capacidade de ver um mundo novo e de ter um ponto de vista diferente sobre aquilo que todo mundo acreditava ser daquela forma. Começam a aprender mais rápido, a recuperar a simplicidade de ver o mundo, mesmo já tendo passado (e deixado para trás) aquela complicação excessiva do mundo ‘adulto’. Voltam a ser crianças na alma, na simplicidade e na inocência de não conhecer bem o mundo e explorá-lo melhor. Não há mais a infantilidade da criança, e mesmo sendo crianças, passam a ser pessoas crescidas, ou ainda ‘pessoas crescendo’…

Essas pessoas que voltaram a esse estado de crescimento (ou que o mantiveram) são normalmente vistas com “infantis” pelos auto-proclamados ‘adultos’ da sociedade, parece “óbvio” que são uns sonhadores e loucos essas figuras inovadoras… Porém infantilidade é ‘não ter vontade própria’. Então, infantil mesmo é ficar por horas diante de um programa boçalizante na televisão, de um jornal ou seriado que nada têm a acrescentar no crescimento interior de alguém. Isso sim é falta de vontade própria!

Seguir as tendências da moda, de religiões, de movimentos sociais ou de comportamento sociais sem que isso reflita algo de positivo em seu interior ou que isso lhe traga um crescimento maior, só faz das pessoas mais uma ‘cabeça de gado’ nos rebanhos dessa sociedade. Gado, manada que será, um dia, abatida para alimentar a estrutura que a criou e pastoreou (será que essas “cabeças de gado” já refletiram que um dia serão “abatidas” ou o que isso significa na prática????).

Em resumo, a quem interessar manter sua vida interior ativa, divertir-se e sonhar como criança, basta olhar o mundo como algo ainda realmente desconhecido. Mesmo que a arrogância cientifica moderna insista que “boa parte do mundo já foi explorada” ou que sua religião/partido político/visão social diga ser possuidora da verdade absoluta do universo, pense… Pense com você, em seu interior, descubra que mesmo fisicamente o mundo é 99,99999999999…% inexplorado. Infinitas dimensões e possibilidades esperam àqueles que tiverem a ousadia de ir buscá-los e isto não é uma hipérbole.

Atreva-se a descobrir novas facetas desse mundo e a novos mundos como uma criança faz enquanto cresce. Se você está lendo isso, certamente não é infantil (isto é, possui alguma vontade própria), então use-a e veja além do que parece óbvio, divirta-se com o que é divertido, não com o que é intenso e forte e que ‘dizem’ que é divertido. Entenda o mundo financeiro, trabalhe para que ele não te envolva e te escravize a ganhar dinheiro pra sobreviver, a vantagem de ser uma criança crescida é que você entende as coisas da sociedade e trabalha pra que elas não te aprisionem, seja o dinheiro, religiões ou modo de vida.

Seja você, brinque mais, e quando ver uma borboleta pousar inadvertidamente na cabeça de alguém… ria! Aprecie viver!

Seja livre, voe!

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